SUÍÇOS
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Thierry Fischer

Livingstone, Zâmbia
1957

Diretor musical e regente titular da Osesp desde 2020, Thierry Fischer fala de música com entusiasmo e se vê como um arquiteto dos sons. A metáfora define o papel que assumiu na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo até 2024.

“O som nos dá uma energia profunda, um sopro de vida todos os dias, nos dá eixos e o regente deve ser um visionário, saber como se estimular e incentivar os outros músicos. Antes de tudo, ele tem de ser um exemplo, trabalhar mais que todos, transpirar excelência, para que seja contagioso”.

O maestro nasceu em Livingstone, na Zâmbia, uma cidade sem eletricidade nem água corrente, onde o pai trabalhava na época.

Depois, a família morou na Costa do Marfim. Frequentava o conservatório e tocava flauta doce. Aos 10 anos e meio fez sua primeira apresentação em Abidjan, tocando o Concerto, de Jean-Baptiste Loeillet.

De volta a Genebra – cidade natal de seus pais e onde vive com a esposa e os três filhos –, estudou flauta transversal e, mais tarde, completou a formação em Friburgo em Brisgóvia, na Alemanha.

Iniciou a carreira como primeira flauta na Filarmônica de Hamburgo e depois na Ópera de Zurique.

Por volta dos 30 anos começou a reger os primeiros concertos com a Orquestra de Câmara da Europa, então sob direção de Claudio Abbado.

“Fiquei ali onze anos, toquei para muitos maestros e virei regente por acaso, para substituir um colega que ficou doente. Num minuto percebi que minha vida tinha mudado”.

Fischer também é diretor musical da Sinfônica de Utah, nos Estados Unidos, e o principal regente convidado da Filarmônica de Seul, na Coreia do Sul.

Foi regente principal da Orquestra Nacional BBC do País de Gales, realizou turnês internacionais, gravou vários discos e em 2012 recebeu o Prêmio ICMA (International Classical Music Awards) por Der Sturm (A Tempestade), de Frank Martin, com a Orquestra Filarmônica e Coro da Rádio Holandesa.

Em 2018 participou numa temporada da Osesp, no programa que combinou a Sinfonia Fantástica, de Berlioz, e a estreia latino-americana da obra Saccades, de Philippe Manoury, com o flautista Emmanuel Pahud.

Aprecia os compositores Villa-Lobos e Camargo Guarnieri e pretende ampliar o repertório brasileiro e latino-americano da OSESP. Mas seu espectro musical é vasto:

“Tenho uma curiosidade instintiva por todo tipo de música. Encontro um porto seguro na beleza musical, um interesse juvenil, quase completamente naif e sempre que abro uma partitura, tenho vontade de encontrar a beleza que há nela. Às vezes, há menos do que eu pensava, mas isso faz parte do processo de criatividade, da responsabilidade de um artista, de dar chance a compositores conhecidos ou não”.

Diz que a programação pode ter grande influência sobre o público: “É algo que pode lhe dar ideias, momentos de solidão na sala de concerto, de percepção de suas energias e esperanças. E a música é essa energia invisível que nos atravessa, que chega na nossa alma e no nosso cérebro por caminhos que são misteriosos”.

Thierry Fischer respira música: “Sou de Genebra, mas trabalho muito e viajo o tempo todo. Tenho uma família – que vejo o quanto possível – e uma vida muito harmoniosa, sem lugar para mais nada. Sou um privilegiado, de poder ser tão equilibrado, em plena harmonia com o som. Trabalho, penso e durmo música… é assim!”.