SUÍÇOS
DO BRASIL

BRASIL

SUÍÇOS
DO BRASIL

SUÍÇA
BRASIL

Alberto e Adriana Eisenhardt

Lugano, Suíça e Marília, São Paulo
1966

Em 2002, quando veio realizar o documentário “Leve-me na memória”, um retrato da vida de jovens da Pedreira, na zona sul de São Paulo, o suíço Alberto Eisenhardt não poderia imaginar que estava se envolvendo numa aventura que o levaria a viver no Brasil anos depois.

Alberto Eisenhardt nasceu em Lugano, no cantão de Ticino. Tinha 21 anos quando foi estudar inglês em Londres, onde ficou apenas três meses, porque foi chamado de volta à Suíça para um estágio na televisão suíça-italiana. Era formado em eletrotécnica, mas decidiu mudar de profissão. Trabalhou como montador de filmes até 1998, quando dirigiu seu primeiro documentário sobre uma tradicional família de musicistas de jazz.

Produziu outros documentários, mas o de 2002 foi o mais importante, porque lhe deu acesso para conhecer a comunidade onde hoje funciona o projeto Casa dos Curumins: “Os jovens com quem tive contato na época, que foram protagonistas do documentário, me pediram uma chance, um novo futuro.

Não sabia que anos mais tarde viveria no Brasil, mas esse foi o ponto de largada, a chave do que nós vimos fazendo atualmente na comunidade da Pedreira”.

Quando diz ‘nós’ está se referindo à esposa Adriana Eisenhardt. Natural de Marília/SP, ela tinha ido estudar inglês em Londres, onde se conheceram em 1987. Casaram em 1990 e foram morar na Suíça. Formada em Direito pela Universidade de São Paulo e com passaporte suíço, ela fez a equivalência do diploma e advogou por 20 anos no país.

Alberto enfatiza que a Associação Casa dos Curumins, que hoje atende crianças, jovens e idosos em situação de vulnerabilidade social, não seria viável sem a ajuda dela: “Sendo brasileira, não foi fácil para a Adriana trabalhar como advogada, ter uma carreira reconhecida na Suíça. Sem a cumplicidade dela em renunciar a tudo o que construiu na vida, nada do que fazemos seria possível. Ela viabiliza projetos com empresas e com o poder público e coloca a vivência que teve na Suíça à disposição de uma comunidade que, sozinha, não teria acesso a um serviço de qualidade, o que faz toda a diferença”.

Começaram de forma informal, apoiados por pessoas da comunidade: “No início, a Casa dos Curumins acolhia 130 jovens no contraturno escolar, em um espaço alugado. As grandes mudanças vieram em 2009, quando conseguimos uma casa e instalamos um equipamento permanente. Em 2010 mudamos para o Brasil, assumimos a condução do projeto e hoje gerenciamos uma creche em tempo integral, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, temos escola de música, a Banda dos Curumins e atividades para idosos. No total, atendemos cerca de 500 jovens e familiares”.

Metade dos recursos financeiros vem por meio de incentivos fiscais e parcerias no Brasil. O aporte dos outros 50% vem da Suíça, a maior parte da suíça italiana: “Representamos a solidariedade dessas pessoas que nos deram apoio e voto de confiança. Quando vamos para a Suíça prestamos conta do trabalho desenvolvido durante o ano.”

Alberto Eisenhardt não estaria morando no Brasil se não fosse pelo compromisso que assumiram, de dar aos jovens da Pedreira a oportunidade de serem protagonistas da própria vida.

“Para essas crianças fundamos a Casa dos Curumins, oferecendo um lugar onde é possível voltar a acreditar nos sonhos, investindo na educação como a arma mais poderosa para transformar o Brasil em um lugar melhor para viver”. Essa mensagem finaliza o documentário “Leve-me na memória”.